sábado, 21 de agosto de 2010

Vejamos o uso atual das estruturas chamadas Centros Digitais de Inclusão – CDI.
O CDI – Comitê para a Democratização da Informática é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão institucional “promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção da cidadania” e, portanto, tenta suprir a carência de políticas públicas mais sérias para inclusão digital. Ao justificar o por quê desse esforço em favor da informática a entidade cita que “a tecnologia de informação é uma das principais forças motrizes da sociedade contemporânea”.
Para mensurar a taxa de inclusão digital foi criado o “Relógio da Inclusão Digital”, que é uma iniciativa do CDI - Comitê para Democratização da Informática, da FGV - Fundação Getúlio Vargas, Sun Microsystems e USAID - United States Agency for International Development, que juntos fundaram o GAID (Grupo de Ação para a Inclusão Digital).
O relógio da inclusão digital marcará permanentemente a taxa de inclusão digital de acordo com os dados fornecidos pela FGV e é o primeiro passo para a realização do Mapa da Exclusão Digital. O GAID apresentou o Mapa da Exclusão Digital à sociedade brasileira no início deste ano de 2003. “O objetivo é sugerir ações emergenciais que diminuam o apartheid digital, envolvendo governo, empresas e terceiro setor. O documento foi entregue ao Governo de Luís Inácio Lula da Silva como uma contribuição para a elaboração de políticas sociais e para as áreas das Tecnologias da Informação e Comunicação. O Relógio da Inclusão Digital marca o número de brasileiros com acesso a computador em seus domicílios. Ele resume as interações entre a estimativa contida no relógio populacional do IBGE com as projeções de crescimento da taxa de acesso a computadores."

Incluidos e excluidos

O conhecimento humano não deve ser circunscrito a uma interface invisível à maioria da população que não utiliza computadores ou que é afetada por apelos digitais que, invés de integradas nos processos de produção de inteligência coletiva, negligencia os anseios da maioria que pretende consumir.
É importante, antes de tudo, conhecer quem é o excluído digital, sob pena de políticas públicas sofrerem incongruências relevantes, a exemplo das havidas no esforço para erradicação do analfabetismo.
Criar um diário eletrônico com fins de adquerir e disseminar conhecimento acerca de Inclusão Digital, foi meu primeiro primeiro pensamento.
Num passado próximo o analfabeto era conceituado como o que não aprendeu a decodificar a escrita. Desse modo, para superar a problema, políticas públicas canalizaram massivos investimentos para processos de treinamento em que os iletrados pudessem desenhar e juntar palavras: criou-se, então, o analfabeto funcional.
Considerado o quanto feito pelos iletrados, cuja condição de cidadania foi negada por séculos, os novos excluídos; agora chamados digitais, podem ser (e frequentemente são), encontrados entre os mais próximos do computador, conduzindo a suposição de que o simples acesso aos computadores, bem assim a proliferação de estações conectadas à Internet vai evitar a inclusão anual, nos ávidos setores da economia, de novos analfabetos funcionais.
Já existem muitos exemplos de ineficácia dos projetos de inclusão digital, em todo o país, gerando a ilusão de que novos segmentos da sociedade estão sendo inseridos na Era da Informática, só porque a distância fisica entre a população e os computadores está diminuindo, quantitativamente.
Vista a vertiginosa demanda por intervenções governamentais para a inclusão digital, uma caracterização, para definir quem é realmente o excluído, deve contribuir para que as políticas públicas de inclusão sejam direcionadas com proficiência, considerando que a inclusão não se encerra apenas na logística da infraestrutura de acesso, mas abrange amplos processos didáticos que só podem ser desencadeados quando computadores e redes estão operacionais.
Como entender a base da demanda? Isto é, por que a gigantesca e crescente inquietação de setores das sociedades de capital privado e de órgãos públicos pela promoção do acesso aos computadores?
Talvez a força motriz advenha do simples fato de que a exclusão digital promove o travamento dos processos de produção, desde o chão de fábrica até o staff que opera em planos mais verticalizados: e esse gargalo no setor de capital humano pode ser determinante para a morte da empresa.
Experimentamos, então, novo ciclo de reprodução dos meios de produção; capital humano, nos moldes de um tecnicismo automatizador e autoreferenciado.